domingo, 24 de fevereiro de 2013

No Xilindró de Kilmainham Gaol

Pai, preciso confessar uma coisa muito importante para você: estive na prisão da Irlanda. Calma! Muita calma nesta hora. Eu explico: fiz um dos passeios mais legais e interessantes daqui! Visitei a prisão famosa por ter abrigado (e executado) um monte de líderes das revoluções irlandesas.

O lugar é bem escuro, um pouco claustrofóbico e tem um quê de tristeza muito grande. Provavelmente por conta de todo o seu passado de sofrimento e mortes. Você consegue sentir um pouco de tudo isso quando está lá dentro, percorrendo as celas na penumbra e tendo que se abaixar para passar pelos batentes das portas.

É bem complicado entender o que o guia irlandês nos contava. Eu só consegui porque tinha lido previamente sobre a história da Irlanda, sobre as revoltas, a fome e também sobre a prisão. E, ainda assim, acho que compreendi uns 50% do que o cara (que apelidamos de Santa Claus ou Papai Noel) nos dizia. Os espanhóis que estavam comigo e o francês tiveram muita dificuldade também.

Pensei em escrever um texto sobre a história deste lugar, mas percebi que já existe um muito bom, num dos blogs que mais gosto daqui. Não poderia ter feito uma pesquisa melhor do que a dela. Então, se tiver interesse, aqui vai o endereço do Vida na Irlanda.

Consegui tirar algumas fotos e fazer dois vídeos em que você consegue sentir um pouco de como é o clima lá dentro.



Está é uma miniatura da prisão que fica logo na entrada 


As celas onde ficaram os líderes revolucionários antes de serem executados 

Homens, mulheres e até crianças estiveram nessas celas e corredores

A parte mais famosa da prisão 

 Lembrou de "Em Nome do Pai"?


A cruz marca o lugar onde foi executado Padraig Pearce, um dos rebeldes conhecidos como "Os Incríveis"

SERVIÇO
Kilmainham Gaol
Inchicore Road, Dublin 8
Tel: 01 453 5984
Bus: 51B, 78A, 79 (Aston Quay)
Luas: Heuston Station (mais uma caminhada de uns 15 minutos)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Lentidão das Coisas em Dublin

Ainda não consegui tirar o meu GNIB (Visa) aqui e explicarei as razões detalhadamente. Na Irlanda, as coisas não são como no Brasil, mais especificamente São Paulo. Tudo aqui tem um ritmo diferente. Então, os passos e o tempo foram mais ou menos esses:

1 - Tirar o meu PPS (CPF) e esperar eles enviarem para a sua casa. (uma semana);
2 - Com o PPS em mãos, você vai abrir uma conta no banco e tem que voltar na semana seguinte para te darem o número da conta (mais uma semana);
3 - Com o número da sua conta, você tem que esperar chegar na sua casa o cartão do banco com a senha (mais uns 3 a 5 dias);
4 - Tive um problema ao abrir o papel com a senha e ela acabou ficando ilegível. Tive que pedir outra (mais uma semana);
5 - Depois, você precisa depositar o dinheiro que for sacando do seu VTM (no meu caso levou 3 dias, mas alguns demoram mais que outros);
6 - Pedir o statement, que é como uma declaração do banco que você tem em conta no mínimo os 3 mil euros exigidos (mais 3 dias úteis).

Juntando tudo isso, tirar o meu visa na Garda já me levou mais de um mês (e isso porque ainda nem terminei). Então, está explicado porque continuo apenas com o visto de turista aqui.


Falando na lentidão das coisas, o elevador do nosso prédio está quebrado há 4 dias. Eu escrevi QUATRO dias. A nossa sorte é que os edifícios daqui costumam ser baixos, algo entre 3 e 5 andares, no máximo. No que vivo tem cinco e estamos no terceiro... mas ter que subir e descer escadas todos os dias com o elevador lá, parado... faz eu me sentir como se estivesse no seriado de tv The Big Bang Theory.

Para quem não sabe, eles tem esse mesmo problema e usam as escadas como cenários para o desenrolar das histórias. Pelo menos, pensar nisso torna a dura tarefa de subir escadas mais engraçada. Só quero ver por quanto tempo isso vai durar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os Perigos da Língua

Desde que cheguei em Dublin, uso um método muito eficaz para descobrir como chegar aos lugares: pedido de informação. Desde o meu primeiro dia aqui, essa tem sido a mais divertida maneira de conhecer lugares e pessoas.

O mais incrível é que todas as vezes que pedia informação sobre algum lugar que gostaria de ir, as pessoas sempre me acompanhavam por todo o caminho ou por, pelo menos, boa parte dele. Incrível, não?! Como os irishs são educados! Ou, como disse uma outra professora da escola (irish também), desocupados e entediados. Estava invejando esse tipo de comportamento deles e aproveitando para conversar e conhecer alguns.


Pois bem. Esta semana, meu professor resolveu nos ensinar algumas maneiras de pedir informações nas ruas. "Rá, isso eu já tiro de letra". Pensei. E lá foi o Darran (o professor) escrever alguns exemplos na lousa:

"Could you show me the way to Temple Bar?" (Será que você poderia me indicar o caminho para o Temple Bar?)

Como boa aluna que sou, levantei a minha mãozinha crente que arrasaria. Afinal, a minha frase preferida para usar aqui em Dublin ao pedir informação era uma pequena variação dessa e sempre conseguia da melhor maneira possível o caminho: usando o tal do would.

"Teacher, can I use 'would' in this sentence?" (Professor, eu poderia usar o would nesta frase?)

Meu professor respondeu que sim, mas que isso mudaria o sentido da minha frase.

"Ãh????"

Pois é, pessoal, se eu usar a frase "Would you show me the way to Temple Bar?", estarei pedindo para o indivíduo em questão me mostrar o caminho até lá pessoalmente, me acompanhar durante o trajeto.

Então, as pessoas não estavam me acompanhando porque são hiper, mega educadas e não tem mais o que fazer a não ser ajudar uma turista perdida. Eles estavam me acompanhando porque eu estava pedindo que eles fizessem isso. Meu Deus, será que atrasei alguém? rs.

De qualquer modo, eles são sim muito educados. Poderiam se negar a fazer isso e apenas me falar como chega lá. Mas, nessa hora, conta a educação mesmo.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Irlanda do Norte - Belfast

Comecei a viajar apenas agora (ontem), pouco mais de quarenta dias depois de chegar. A escolha foi Belfast, que fica na Irlanda do Norte. Para quem não sabe, existem duas irlandas: a do norte com maioria protestante (ainda ligada à Inglaterra) e a do sul com maioria católica e que detesta os ingleses...rs.

Me preparei reassistindo Em Nome do Pai e vendo pela primeira vez Bloody Sunday. Engraçado que, com a proximidade do povo daqui, você consegue entender e se envolver melhor com a história deles. Queria ir para Belfast para justamente verificar o quanto tudo isso influencia a vida das pessoas lá.

A minha questão foi respondida logo que chegamos e nos deparamos com o centro da cidade todo cercado. Policiais para todos os lados e carros de polícia piores do que o caveirão do Rio de Janeiro. Assusta um pouco tudo isso, sim! Quando chegamos so City Hall, pudemos acompanhar de perto o protesto mais silencioso que vi na vida: dezenas de pessoas enroladas na bandeira do Reino Unido, em completo silencio, paradas em frente à belíssima construção.

Pai, essa foto é original do protesto. Sua filha que tirou.

Como boa curiosa que sou, fui perguntar para dois irlandeses que lá estavam sobre o que acontecia. Chamei as duas brasileiras que estavam comigo para me ajudarem a entendê-los. A revolta dessa parte da população era não terem sido consultatos sobre a retirada da bandeira do mastro. Eles acreditam que deveriam ter questionado o povo sobre isso.

Então, todos os sábados, as pessoas se juntam e saem em protesto do City Hall pelas ruas: TODOS OS SÁBADOS, desde que retiraram a bandeira. Ficamos impressionadas! No Brasil, a gente nem sabe se é erguida alguma bandeira na prefeitura ou não. Se deixarem de erguer, ninguém vai se dar conta disso ou, se notarem, ninguém fará nada a respeito. Quanto mais perder horas do seu fim de semana protestando.

Os mesmos homens falaram que não precisaríamos nos preocupar porque era uma manifestação pacífica. No entanto, não conseguia deixar de pensar que o Domingo Sangrento também deveria ter sido pacífico.

Esse carro possue uma câmera giratória na parte de cima e um microfone: como o carro da google.

Intimidador, não?

A cidade é pequena e não tem muitas atrações. Na questão turística, tudo lá gira em torno do Titanic. Para quem não sabe, ele zarpou de Belfast para o iceberg e para a História. Dentro do Jardim Botânico, existe um museu em homenagem ao mais famoso navio do mundo. Pela baguatela de dezesseis libras. Sim, libras. Lembra que disse que eles ainda viviam sob o domínio britânico? Achamos um absurdo e não fomos nesta parte. No entanto, resolvemos conhecer o Jardim Botânico e o resto do museu.

A nossa dificuldade foi conseguir passar pelo protesto porque a polícia fechou algumas ruas e a "tropa-de-choque" deles estava a postos. Depois da confusão e do tiroteio que teve em uma dessas marchas, no fim do ano passado, não posso culpá-los por se prepararem para o pior. Que, graças a Deus, não aconteceu!

Nesta, os policiais fecharam a rua lá na frente, para que o protesto não entrasse aqui.

No museu, vimos ossadas de alguns dinossauros (que minhas amigas me garantiram ser de mentira porque estava conservado até demais e elas viram uns de verdade na Inglaterra), alguns objetos aleatórios e que não conseguimos entender muito bem o sentido deles e o tal do Jardim Botânico. Este último, era formado por um gramado e duas estufas que estavam fechadas.

E aí, vocês acham que é de verdade ou apenas réplica?

A foto desse bicho estranho aqui é para o meu irmão ver. 

Esse cachorro gigante era muito famoso por aqui. Vou pesquisar sobre o assunto e depois escrevo.

Fomos só nós ou vocês também acham que parece Curitiba?

A única coisa interessante do museu foi conseguir ver fotos e ler sobre toda a questão política envolvida na Irlanda do Norte. Detalhe que passamos em frente e registramos o hotel mais bombardeado do mundo.


Olhando a fachada nem parece que ele sofreu tanto, né?

PS: Postei várias fotos no facebook e algumas outras aqui. Acho que montarei um fotoblog para postar tudo lá e não encher aqui de imagens.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Atendimento Médico

Já tinha ouvido e lido muita gente comentando o assunto, mas esperei uma ocasião para conferir de perto isso. Sim, realmente o atendimento dos hospitais e clínicas daqui de Dublin (e já me falaram que de toda Irlanda) perde muito para o nosso no Brasil. Nunca mais reclamarei de ter que esperar muito tempo para ser atendida por aí.

A Daniela, italiana (sempre ela... rs), não estava se sentindo bem há alguns dias. Falei para ela procurar um médico, mas como tem que pagar pela consulta, ela ficou protelando. Após algum tempo, chegou no limite e ela começou a menstruar novamente e perder muito sangue. Resolveu que precisaria ir ao hospital. Após muita discussão comigo (ela queria ir sozinha), fiz com que o namorado irlandês fosse junto. Assim, ele poderia entender melhor o médico.

Cabe abrir uma explicação aqui. Os irlandeses pagam um imposto específico para a saúde. No entanto, se você precisar ir a um hospital ou clínica, terá que desbancar no mínimo 50 euros, que costuma ser o preço apenas da consulta. Ainda assim, o serviço é de uma qualidade um tanto quanto duvidosa.

Pai, esta foto é meramente ilustrativa, ok? Não conheço estas pessoas.

Voltando à nossa história. Quando chegaram ao que seria o melhor hospital de Dublin, ficaram contentes de só ter sete pessoas na fila de espera. Depois de cinco horas e ainda tendo mais cinco pessoas antes deles, desistiram. Sim, vocês não leram errado. O HOSPITAL levou CINCO HORAS para atender DUAS pessoas. Um completo absurdo!

Hoje, falei com ela para irmos a um centro médico que tem em frente ao nosso prédio. Depois de pagar os cinquenta euros e esperar por não mais de 10 minutos, fomos chamados pela médica. Ela era irlandesa e foi até bastante simpática. Tirou a pressão e perguntou o que ela sentia. Examinou-a e pediu que ela trouxesse um pouco de urina. Fez o teste lá na hora, com o palitinho e chegou a conclusão de que se tratava de uma obstrução intestinal. Resultado: saímos de lá com uma receita de... BUSCOPAN (Oi?).

Não posso deixar de pensar que, se fosse no Brasil, ela teria no mínimo feito um exame completo de sangue, urina e ultrassom. Lembra quando disse que existem muitas coisas que são melhores no Brasil? Então, colocaria esta em primeiríssimo lugar.

Nós nunca paramos para pensar no quanto nossos médicos são fantásticos. Claro, existem exceções, mas a maioria sabe todas as bulas e remédios de cor. É impressionante! Tudo bem, também pagamos duas vezes (impostos + plano de saúde) sim. Mas a maioria dos médicos não te mandaria para casa com uma receita de buscopan na mão sem ter feito mais exames.

Um caso que ficou muito famoso por aqui, mais precisamente em Galway, foi o de uma indiana que teve uma complicação na gravidez. Estava com 17 semanas e o corpo começou a não aguentar e ela apareceu no hospital com fortes dores nas costas, abdomen, febre, vômito, perdendo muito líquido aminiótico e com o cólo do útero completamente dilatado (aborto espontâneo). Diante do quadro, o casal pediu ao médico que interrompesse a gravidez (ou o que ainda restaria do bebê) para salvar a vida da mulher. A resposta do médico foi "Este é um país católico. Não podemos fazer nada enquanto houver batimento cardíaco". A mulher agonizou durante três dias e morreu juntamente com o feto.

Foto do protesto em Nova Deli contra o atendimento médico (ou falta dele) prestado à indiana

Segundo fiquei sabendo, a Irlanda é o país da União Européia que tem a lei mais severa e restrita na questão do aborto.

Depois de tudo isso, fiquei muito feliz por ter feito um check up médico completo no Brasil. Agora, a Daniela aqui, está pensando seriamente em ir para a Itália por alguns dias para se tratar, o que atualmente está parecendo ser uma excelente ideia.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

As Portas de Dublin

Existem histórias, aqui em Dublin, que tentam explicar as portas coloridas nas casas e prédios da cidade. Segundo as más-línguas, elas servem para que o irlandês consiga distinguir a porta de sua casa quando volta para casa à noite e bêbado. Já as péssimas-línguas dizem que era para os cavalos reconhecerem as casas e pararem em frente à correta, já que o dono estaria num estado tão lamentável de bebedeira que não poderia fazê-lo.

Outra das histórias conta que em 1861, quando o príncipe Albert faleceu, a rainha Vitória mandou todos colocarem faixas pretas nas portas das casas em sinal de luto. Um irlandês revoltado (e provavelmente também bêbado) resolveu pintar as portas durante a noite em sinal de protesto. Quando todos acordaram, gostaram tanto da ideia que resolveram aderir à moda.

Seja como for e qual explicação tiver, a questão é que elas são realmente muito adorávei! Em estilo georgiano, realmente acabam dando outra cara para a cidades. Duvida? Dá uma olhada nesta foto que tirei enquanto caminhava na rua hoje. E olha que essa aí tinha umas casas bem modestas. 

Lindas, não?!

Antes de mudar para cá, queria morar em uma casa que tivesse uma delas. Queria casa porque poderia comprar uma bicicleta e a porta colorida porque é legal... rs.

PS: Na minha escola, a cor dela é vermelha.

Mudando um pouquinho de assunto. Acho que não citei aqui no blog mas, para quem não sabe, estou ajudando num brechó de caridade todas às quartas-feiras durante a tarde. Por isso que não tenho mais entrado tanto na internet para escrever aqui ou responder e-mails ok, pai?

Também comecei a fazer academia. Aqui, por 200 euros, você faz um plano de um ano e pode frequentar a academia e algumas aulas quantas vezes quiser (leia-se aguentar). Acaba saindo por uma bagatela de 16,6 euros por mês. Eu ainda consegui alguém para me matricular comigo numa promoção e gastei 175 euros (14,6 euros). Agora, só preciso ter força de vontade para usufruir disso.

Lembram-se que citei das coisas boas que tem no Brasil que a gente não percebe? Então, citarei mais uma. Aqui, não tem um instrutor para fazer uma avaliação física sua e montar uma série de exercícios própria para o que você quer. Se você quiser, tem que pagar 25 euros por um personal trainner. Se não, se vira nos 30, amigo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

De Pijama no Mercado

Já tinha ouvido falar deste estranho costume irlandês: ir ao mercado de pijama. Entretanto, custei a acreditar que fosse verdade. Achei que, como tantas outras coisas, fosse apenas um boato sem fundamento. Hoje, depois do que aconteceu, mudei completamente de ideia.

A italiana doida que mora comigo, e que eu gosto cada dia mais, resolveu retocar a tinta vermelha dos cabelos. Enquanto esperava secar, resolveu que queria descer até o Tesco (mercado) que tem exatamente embaixo do prédio para comprar cervejas. Para que ela não fosse sozinha lá com o cabelo todo pintado, uma roupa surrada e suja de tinta e uma touca estranha na cabeça, sua amiga irlandesa resolveu enrolar o cabelo numa toalha e ir junto.

Esta foto é meramente ilustrativa, pai

Quando as vi assim, tive um acesso de riso que durou uns bons minutos e as deixou sem entender o que estava acontecendo. Quando expliquei, falaram que era uma coisa tão absolutamente normal por aqui que levariam até os ursinhos de pelúcia que temos para me provarem isso. Claro que, como boa curiosa que sou (uma curiosidade puramente antropológica, claro!) desci junto para verificar se as pessoas estranhavam ou não.

Andamos pelo mercadinho e encontramos mães com crianças, jovens, homens adultos... e absolutamente ninguém dava bola. Foi até um pouco decepcionante! Eu era a única que estranhava a situação. A caixa até comentou que gostou da cor da tintura dela. Que pintou também os cabelos ontem, mas não gostou da cor que usou.

Isso me chamou bastante a atencão: será que somos assim tão rigorosos e não temos nada melhor para fazer a não ser julgar os outros? Ou será que os europeus são realmente loucos?

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Brasileira?

Se já era difícil para as pessoas acertarem o meu nome no Brasil, podem imaginar como está sendo aqui, né? Nas terrinhas tupiniquins, era Maira, Mayara, Maria, Mariana... e diversas variações disso. Aqui, acaba sendo Maria ou Meire... ou um som muito estranho que eu nunca entendo ou acho que é comigo. Por conta disso, os professores dificilmente me chamam para responder questões ou ler alguma coisa. Confesso que não sei ainda se isso é bom ou ruim.

Pelo que fui informada, parece que existe um nome irlandês muito parecido: Maire (antigamente era Muire). É a versão deles para Maria, ou Mary. Olha neste link aqui uma explicação bem legal e a pronúncia do nome em irish, que acaba sendo Maira.

Aqui em casa, pedi para a Rury (coreana) me chamar de Mai. Ela definitivamente também não consegue pronunciar o erre nosso de modo algum. Ela bem que tentou, coitada! Mas saiu uma coisa tão estranha e engraçada, que preferi não insistir.

Futuros pais de plantão, por mais lindo que seja o nome que você queira dar para a sua filha ou filho, se for estranho ou muito difícil, esqueça. Perdi a conta de quantas vezes na minha vida tive que soletrar meu nome. O problema é que além dele, ainda vem o sobrenome. É um verdadeiro inferno! Aqui, ainda por cima, preciso soletrar em inglês. Terrível isso! Para a minha sorte, ainda não precisei fazer isso com o sobrenome. Bittencourt definitivamente não será uma tarefa fácil.


Além do estranhamento em relação ao meu nome, tem também a questão da nacionalidade. Para eles, ou sou irlandesa ou canadense. Um italiano chegou ao cúmulo de me perguntar seriamente se eu tinha certeza de que era brasileira. Sim, eles realmente acham que só tem negro ou mulato vivendo por aí.

Cheguei à conclusão de que sou um ser estranho e à parte aqui e já perdi a conta de quantas vezes tenho que explicar que não falo inglês tão bem, já que não é a minha língua nativa, e que existem loiros brasileiros. Sim, estereótipos existem aos montes por aqui... e vou te contar que alguns italianos são exatamente como vemos nos filmes... rs.

Essa questão da nacionalidade também gerou uma discussão com um colega de facebook que não consegue entender porque estou evitando ficar encontrando brasileiros por aqui. Ele acredita que eu fazer isso significa que não gosto do Brasil ou dos brasileiros e não que estou apenas querendo aprender de verdade o inglês e que ficar andando com muitos conterrâneos não me ajudará nem um pouco nisso. Segundo ele, só porque não quero sair por aí exibindo a bandeira ou camisetas da seleção significa que não sou nacionalista.

Não preciso nem dizer que quase cai de tanto rir ao ler isso porque achei uma puta hipocrisia. As pessoas não andam com bandeiras no Brasil (a maioria nem a tem), porque deveriam fazer algo no exterior que não fazem aí? Além disso, nacionalismo é um sentimento. Não preciso ficar esfregando ele na cara de ninguém para dizer que o sinto. Para mim, prefiro mil vezes mostrar nosso país e o comportamento dos brasileiros através do exemplo do que através de uma camiseta ou símbolo. Sou o exemplo (bom, espero) de que brasileiro também é honesto, de que brasileiro é esforçado, que brasileiro não vive só de Carnaval, que sou mais do que uma bunda e muito mais do que qualquer estereótipo... até mesmo o do brasileiro que sempre anda com a camisa da seleção. Sorry para quem pensa diferente! Seja primeiro um exemplo, depois conversaremos e discutiremos a respeito.

O engraçado é que depois que vim para cá, comecei a perceber uma série de coisas boas que temos por aí, mas não nos damos conta. Estou até anotando para depois poder colocar num único post algumas observações. Enfim, é fácil julgar as pessoas sem as conhecer. Ainda bem que a maioria me conhece e sabe que eu quero e muito bem o Brasil e até penso em entrar para a política para fazer a diferença.

PS: Ah sim, algumas pessoas acham que a língua que falamos é o "brasileiro" ou "brazilian" e não o português.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Feirinha, Batucada e Muita Chuva

É, minha gente, que Dublin era cinzenta e que chovia bastante, eu já sabia. Entretanto, uma coisa é saber na teoria, outra é vir aqui e viver andando na chuva. Definitivamente não é para qualquer um.

Hoje, combinei com uma amiga brasileira para visitarmos o zoológico. Nos encontramos no pub The Mezz para comer uma deliciosa feijoada e no caminho, no jardim da Christ Church Catedral, nos deparamos com uma espécie de feirinha típica irlandesa. Tinham alguns animais, comidas e uma batucada incrível (conforme vocês poderão ver no vídeo abaixo das fotos).

Não sei o que diabos esse irish resolveu moer aí, mais achei que era definitivamente algo típico e digno de um flash

As crianças podiam ver essas galinhas estranhas lá. Também podiam segurar um coelhinho fofo

Esse bicho estranho me pareceu ser uma lhama, fiquei com medo de tomar uma cuspida e me afastei


Como o zoológico era muito caro (16 euros) e a prisão Kilmainham Gaol já estava com todos os tours lotados, decidimos visitar o Irish Museum of Modern Art, mas estava fechado para reformas internas. Não pude deixar que notar que deve ser absolutamente fabuloso na primavera, já que a entrada principal dele é um caminho cercado de árvores. Só nos restou ver o belo jardim que tem ao lado dele. O único problema foi a chuva que não deu uma tregua sequer. Maldição!



Mãe, essa tenho certeza de que você amou



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Italiana e a Tranca do Banheiro

Hoje, aconteceu uma coisa muito engraçada aqui em casa. Eu digo engraçada agora, que o susto passou e virou apenas uma boa história para contar.

Como já disse antes, minha colega de quarto é uma italiana de trabalha em um pub durante a noite. Normalmente, ela chega de madrugada e dorme direto até umas 16, 17h. Ontem, porém, um cliente a segurou até 06 da manhã no trabalho. Ela voltou para casa e, enquanto se preparava para dormir, resolveu usar o banheiro e não conseguiu mais abrir o trinco.

Acordei com o barulho dela tentando desesperadamente abrir a porta. Qualquer pessoa normal, iria nos chamar, pedir para ligar para alguém e aguardar. O problema, meus caros amigos, é que ela é claustrofóbica. Agora, imaginem uma italiana com claustrofobia, trancada dentro de um banheiro com duas colegas que não falam bem inglês e que não sabem para quem ligar para resolver a situação.



Tratei de ligar para o landlord para que ele mandasse um chaveiro aqui. Tive que procurar na internet para explicar que precisaríamos de locksmith com urgência. A questão é que ele conseguiu me entender com perfeição, mas eu não entendi uma só palavra do que ele disse. Apenas que ia mandar alguém aqui.

O tempo foi passando, passando e a Dani cada vez mais desesperada. Liguei para ele e fui informada que o tal cara só chegaria às 09h30 aqui, por causa do trânsito. Pra mim, foi conversinha para boi dormir. Em uma hora e meia você pode chegar em outra cidade aqui e não estamos em São Paulo. O jeito foi apelar para a boa vontade do vizinho japonês que usou uma facha e uma moeda e conseguiu finalmente abrir a fechadura. Isso mesmo que vocês leram: o cara é praticamente um Macgyver dos orientais. Só faltou me pedir o chiclete.

O tal do locksmith acabou chegando só 10h e culpou o trânsito pela demora (ok, a gente finge que acredita). O pior de tudo é que ele não tinha ferramenta para arrumar o trinco, apenas para abrir e voltará aqui na sexta-feira para trocar. Por que sexta-feira? Eu explico: segundo ele, era o único dia e horário que tinha livre para fazer o serviço. Até lá, vamos apenas escostar a porta e esperar que ninguém a abra enquanto estivermos lá dentro. Então, pessoal, o lance é ser chaveiro na Irlanda. Afinal, ter tantos clientes assim deve render um bocado de grana, não?

PS: Aprendi um monte de palavrões em italino. Se alguém tiver interesse... rs