sábado, 30 de março de 2013

3 Meses em Dublin

Há pouco mais de três meses, estava em um avião rumo a Dublin, assistindo um concerto de Andre Rieu na pequena telinha do avião porque não conseguia dormir com tanta turbulência. No entanto, talvez a agitação maior fosse mesmo dentro de mim. A dúvida de não saber se tomei a decisão certa. A questão de pensar por que estou fazendo um intercâmbio tardio, quando todos lá estão na casa dos 23 anos. O não saber quanto tempo ficar. A questão de ter largado meu emprego. Tudo isso foi passando pela minha cabeça devagarinho, uma caraminhola atrás da outra.

Após esse tempo aqui, não posso dizer que minhas dúvidas e inseguranças sumiram. Entretanto, posso afirmar que não sou aquela mesma pessoa lá do avião. Alguma coisa mudou. A Irlanda me modificou e estou completamente apaixonada por este país. Mas, como em toda relação, existem os pontos ruins: odeio o clima daqui! rs.

Estava escrevendo para um amigo sobre a questão de a vida em Dublin não ser tão ligada ao ter como no Brasil. Talvez pela história do povo irlandês, que passou por muitos maus bocados, a coisa mais importante por aqui é o ser. Ninguém está preocupado em quanto você tem, no que você trabalha e em qual é o seu carro e sim em quem é você. A minha dúvida é se isso se aplica mesmo a todos os irlandeses ou se tenho essa impressão porque ando muito com estudantes de intercâmbio. Talvez, esta eu responda daqui a outros três meses.


É difícil definir o que mudou em mim. Acredito que quando você é mais novo, tudo fica mais visível porque você nunca sequer teve a experiência de morar só. Não foi o meu caso. Já vivi muitos anos morando sozinha e sei muito bem cuidar de uma casa e de mim mesma. Então, a minha mudança acabou sendo muito mais sutil e interna.

Minha forma de ver a vida também mudou. Não sei se quero voltar a viver na loucura diária que é São Paulo. Parece que só quando você se afasta de lá é que consegue realmente enxergar o quanto é estressante e maluca a correria diária. Não tenho mais muitas grandes aspirações de carreira. De que adiante se matar de trabalhar a vida inteira e não poder aproveitar? Quero sim ter uma vida tranquila, mais simples... para poder desfrutá-la ao lado das pessoas que amo. Não preciso de grandes riquezas para isso: família e amizade são de graça.

Sei que pode parecer um enorme clichê, mas é uma grande verdade: a vida é curta. Nunca sabemos quanto tempo nos resta neste mundinho: pode ser muito, mas também pode ser pouco. Também não sabemos quanto tempo tem as pessoas que nós queremos bem. Então, pra que disperdiçar o melhor da vida sem estar perto deles?

Se pudesse, talvez vivesse para sempre por aqui. O único problema é justamente isso: a distância. Teria que ter dois corações e passagens semestrais para o Brasil... rs. Difícil explicar como o a Irlanda se tornou meu segundo lar em tão pouco tempo. Mas mais difícil ainda é ter deixado metade do meu coração com vocês.

segunda-feira, 18 de março de 2013

St. Patrick's Day

No mais famoso feriado da Irlanda, as ruas de Dublin ficam lotadas. Pessoas de toda a Europa chegam para a cidade para curtir as festividades ao longo do que este ano foi um fim de semana.

Para quem não sabe, ele é o padroeiro da Irlanda. Trouxe o cristianismo para cá e ensinou os pagãos sobre a trindade usando o trevo (de 3 folhas, claro!). Também dizem que foi o responsável por expulsar as cobras da ilha (Uia!). Enfim, quem quiser saber mais sobre isso, dá um google aí porque não quero ficar de blablablá.

O' Connell Street com alguns prédios iluminados de verde

O correio da O'Connell. Uma das construções que mais gosto daqui.

A questão é que Dublin fica realmente muito bonita nesta época do ano. Os principais prédios da cidade são iluminados de verde (cor oficial da ilha) e o Trinity College exibe um vídeo muito lindo na sua fachada, como você poderá ver abaixo.


Apesar de o feriado ser oficialmente no dia 17/03, na sexta já começaram os eventos. Me encontrei com alguns amigos para ver um concerto ao lado do Stephen's Green Park. Para dizer a verdade, achei um tanto amador as apresentações lá. Colocaram duas meninas e um cara dançando, mas não eram lá essas coisas. O divertido foi ficar com meus amigos: todos dançando e pulando. Claro que aproveitamos e já usamos alguns adereços típicos. Depois, acabamos no nosso velho O'Relleys onde o preço da cerveja não chega a ser um absurdo como nos outros lugares.


Sábado foi dia de ir para um pub bem típico daqui: o Kearneys. Por incrível que pareça, estava lá um ator de cinema americano, Anthony Mackie, que ficou conversando com meus amigos. Para quem não sabe, ele fez Real Steel e Million Dollar Baby. Para quem ainda não sabe de quem estou falando, só conferir clicando aqui.

Depois, demos uma passada no Temple Bar e nos deparamos com a imagem que gravei abaixo. Uma verdadeira loucura!


Para terminar a noite, com tudo muito lotado, acabamos indo encontrar outros amigos no Sweeney's Bar e ficamos lá até acenderem as luzes e botarem todos para fora. Sim, isso acontece por aqui. Às 2h30, eles costumam fechar o bar e as 3 da manhã os seguranças mandam todos para casa. É lei!

Para finalizar, chegou o nosso querido domingão e finalmente o St. Patrick's Day. Encontrei com todos na O'Connell para ver o desfile. Ou, como descobri depois, apenas ouvir. A questão é que é tanta gente, mas tante que fica praticamente impossível ver alguma coisa. Filmei um pouco por cima da cabeça do público, mas ainda assim não foi aquela coisa. 





Depois, passamos na casa das espanholas para beber alguma coisa. Acreditem: neste feriado você também não consegue comprar bebidas alcóolicas nos supermercados ou beber na rua. Lei!

Em seguida, um pub no final da O'Connell chamado Murrays. Grande, música típica e na parte de cima tem diversos telões com jogos de futebol. Comemos, bebemos e decidimos ir para outro lugar. Acabamos novamente no O'Relleys e fechamos a noite no Dandelion, um hotel. Com direito a um pit-stop antes no Burguer King e depois no Mc Donalds.

Após toda essa correria, hoje foi dia de ficar moluscando em casa. Aliás, segunda-feira é feriado por aqui. Dia da ressaca para os irlandeses: literalmente.

Conclusão do fim de semana: passar o St. Patrick's Day na Irlanda, indo de pub em pub, não tem preço. Sö quem tá aqui sabe o quanto é bom!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Where are you from?

Estava esperando um pouco para fazer este post porque queria primeiro conhecer um pouco melhor as pessoas por aqui.

Sempre achei e ainda acho muito complicado você enquadrar alguém em algum tipo de estereótipo: seja sobre a nacionalidade, cor, credo etc etc etc. Entretanto, existem sim algumas coisas comuns que pude notar em meus amigos, após esses dois meses e meio.
Italianos: eles são os mais engraçados. Extrovertidos, estão sempre fazendo alguma piada ou rindo deles mesmos. Incrível! Até uma colega de classe que é metade polonesa e um pouco mais tímida também se enquadra nestes quesitos. Você nunca conseguirá ficar ao lado deles sem rir muito. E sim, eles realmente precisam mexer muito as mãos para falar.

Espanhóis: são os mais parecidos conosco. Costumam sair bastante com outros espanhois, falam alto, se divertem, dançam engraçado e são muito alegres.

Franceses: por incrível que pareça, são os mais tímidos e reservados. Antes que me perguntem, nenhum dos que conheci era arrogante ou preconceituoso. Eles costumam dizer que isso só acontece com os parisienses. Será?

Coreanos: gostaria de poder falar sobre eles, já que vivo com uma. Entretante, só conheci três desta nacionalidade. Não creio que seja o suficiente para definir algo sobre as pessoas de lá. Além disso, tenho um carinho muito grande pela minha flatmate... então, sou uma pessoa suspeita para falar apenas usando-a como exemplo.

Brasileiros: ah, nosso amado povinho. Antes de vir para cá, fiquei sabendo que formávamos uma grande "colônia" aqui. Que éramos muito unidos e nos ajudávamos muito. Enfim, conheci muita gente legal aqui. Muitos conterrâneos que realmente vou levar no coração porque são maravilhosos. Entretanto, me surpreendi de uma maneira muito negativa com a nossa turma na Ilha Esmeralda. O que mais pude notar por aqui é brasileiro tirando vantagem até de brasileiros. Vendendo, nos classificados do facebook, lençóis e edredons usados mais caros do que nas lojas. Colocando preços absurdos em coisas ridículas como um pacote de balas que trouxe do Brasil. Fazendo alguém pagar pelo depósito, fugindo com o dinheiro e deixando a pessoa sem o quarto e sem dinheiro. Os exemplos não param por aí. É um passando a perna no outro. Enfim, são tantas trambicagens que muitas vezes fico com vergonha de dizer que sou do mesmo país que eles.

Como já disse anteriormente, amo meu país e o fato de ser brasileira. Tenho um forte sotaque brasileiro e creio que não quero perdê-lo. Mas a gente precisa começar a mostrar que a educação que nossos pais nos deram no Brasil também deve ser colocada em prática aqui. Porque tenho certeza de que muitos dos jovens que estão fazendo essas coisas na Irlanda, nunca as fariam no próprio país. Por favor, semancol e vergonha na cara!

A pergunta que todos insistem em me fazer: Por que brasileiro só anda com brasileiro por aqui? Penso, penso e sinceramente não tenho como responder. Identidade cultural talvez... ou apenas idiotice.

Agora, sobre os irlandeses... bem, esses ainda terei que esperar para saber.

PS: Só citei as nacionalidades nas quais conheci mais de cinco pessoas.

domingo, 3 de março de 2013

Jantar Multicultural

Porque intercâmbio não é só aprender inglês, não. A gente também aprende que pode cozinhar bem para não morrer de tédio com o nosso arroz-e-feijão de cada dia.

Pedi ao Pep, um italiano da minha sala que vivia dando festas em sua casa, para fazermos algo especial para a nossa turma. Então, ele apareceu com a ideia de um jantar em que cada um levaria um prato de comida típico de seu país. Pensei: Legal! Posso levar brigadeiro. O problema é que poucas pessoas iriam cozinhar e precisaria de mais gente fazendo algo.

Novamente fiquei caraminholando: o que eu sei fazer que seja típico do Brasil além de doces? Resposta: Nada! Não que eu não saiba cozinhar. Morei sozinha durante muitos anos, mas sei fazer o básico para comer no dia-a-dia. Quem me conhece sabe que minha paixão mesmo são os doces. Principalmente aquele feitos de chocolate.

A solução foi recorrer ao bom e velho google. Moqueca de camarão seria algo até relativamente simples de fazer. O problema é que nunca comi isso nem no Brasil. Como saberia se o gosto está de acordo ou não? Além disso, teria que ser algo que combinasse com os outros pratos e tinha certeza de que os italianos (que seriam os únicos que iriam cozinhar comigo) fariam pasta.

Então, pensei em Carne de Panela e depois, mudei para Carne Louca. Para me ajudar com tudo, liguei para a Velha Guarda (minhas tias e minha mãe... rs) várias vezes. Qual carne usar, o que ficaria bom, o que poderia fazer para ficar melhor. Também decidi seguir a receita do meu amigo Edu Guedes que, convenhamos, mostrou-se ser maravilhosa.

Toca comprar os ingredientes no mercado no sábado à tarde e passar o dia na cozinha. O resultado, meus amigos, foi o que vocês verão aí embaixo. Eleito o melhor prato da noite e acabou num piscar de olhos. Ele e o brigadeiro de sobremesa foi algo espetacular. Sucesso na certa!

Antes

Depois

Os espanhóis levaram uma espécie de pão com alho, mas eles também esfregam tomate nele e colocam um pouco de azeite. É uma dica muito boa porque ficou delicioso! Próximo churras, já sabem o que fazer, né? Já os italianos, como eu previa, cozinharam tortelline de espinafre com ricota e uma outra pasta mais comum com molho vermelho. Que também estavam muito bons!

As outras quatro espanholas chegaram mais tarde e perderam a maior parte da comida, inclusive a minha Carne Louca (que acabou em poucos minutos). Elas trouxeram uma espécie de bolo de chocolate que esqueci de perguntar o nome.

O resultado foi que todos adoraram a carne e nem preciso dizer nada sobre o brigadeiro, né? Quem come esse uma vez, nunca esquece... rs

Fiz dois vídeos da festinha para vocês verem como foi tudo.



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CARNE LOUCA


Ingredientes
Carne 
3 colheres (sopa) de óleo
1 kg de lagarto
2 dentes de alho
2 folhas de louro
1 cebola
1 cubo de caldo de carne
1 xícara (chá) de vinho tinto
Sal a gosto
Água para cozinhar
2 colheres (sopa) de vinagre
Molho 
1/2 xícara (chá) de pimentão vermelho fatiado
1/2 xícara (chá) de pimentão amarelo fatiado
2 cebolas fatiadas
1 xícara de molho de tomate
1/2 xícara (chá) de azeitona verde picada
1/2 xícara (chá) de salsa picada 
(Sugestão minha: acrescente um pouco de orégano ao molho)
Modo de preparo 
Em uma panela de pressão, doure a carne com um pouco de óleo. Coloque a cebola, o alho, o louro, o vinho, o vinagre, o caldo de carne esfarelado e água, o suficiente para cozinhar. Tampe a panela, deixe pegar pressão e cozinhar.
Em uma frigideira, faça o molho. Junte as cebolas, os pimentões, o tomate, o molho de tomate, a azeitona e a salsa. Acerte o sal e adicione um pouco de água para cozinhar.
Retire a carne da panela, fatie e, depois, pique com as mãos. Despeje o molho em cima dela e opte pelo acompanhamento.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

No Xilindró de Kilmainham Gaol

Pai, preciso confessar uma coisa muito importante para você: estive na prisão da Irlanda. Calma! Muita calma nesta hora. Eu explico: fiz um dos passeios mais legais e interessantes daqui! Visitei a prisão famosa por ter abrigado (e executado) um monte de líderes das revoluções irlandesas.

O lugar é bem escuro, um pouco claustrofóbico e tem um quê de tristeza muito grande. Provavelmente por conta de todo o seu passado de sofrimento e mortes. Você consegue sentir um pouco de tudo isso quando está lá dentro, percorrendo as celas na penumbra e tendo que se abaixar para passar pelos batentes das portas.

É bem complicado entender o que o guia irlandês nos contava. Eu só consegui porque tinha lido previamente sobre a história da Irlanda, sobre as revoltas, a fome e também sobre a prisão. E, ainda assim, acho que compreendi uns 50% do que o cara (que apelidamos de Santa Claus ou Papai Noel) nos dizia. Os espanhóis que estavam comigo e o francês tiveram muita dificuldade também.

Pensei em escrever um texto sobre a história deste lugar, mas percebi que já existe um muito bom, num dos blogs que mais gosto daqui. Não poderia ter feito uma pesquisa melhor do que a dela. Então, se tiver interesse, aqui vai o endereço do Vida na Irlanda.

Consegui tirar algumas fotos e fazer dois vídeos em que você consegue sentir um pouco de como é o clima lá dentro.



Está é uma miniatura da prisão que fica logo na entrada 


As celas onde ficaram os líderes revolucionários antes de serem executados 

Homens, mulheres e até crianças estiveram nessas celas e corredores

A parte mais famosa da prisão 

 Lembrou de "Em Nome do Pai"?


A cruz marca o lugar onde foi executado Padraig Pearce, um dos rebeldes conhecidos como "Os Incríveis"

SERVIÇO
Kilmainham Gaol
Inchicore Road, Dublin 8
Tel: 01 453 5984
Bus: 51B, 78A, 79 (Aston Quay)
Luas: Heuston Station (mais uma caminhada de uns 15 minutos)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Lentidão das Coisas em Dublin

Ainda não consegui tirar o meu GNIB (Visa) aqui e explicarei as razões detalhadamente. Na Irlanda, as coisas não são como no Brasil, mais especificamente São Paulo. Tudo aqui tem um ritmo diferente. Então, os passos e o tempo foram mais ou menos esses:

1 - Tirar o meu PPS (CPF) e esperar eles enviarem para a sua casa. (uma semana);
2 - Com o PPS em mãos, você vai abrir uma conta no banco e tem que voltar na semana seguinte para te darem o número da conta (mais uma semana);
3 - Com o número da sua conta, você tem que esperar chegar na sua casa o cartão do banco com a senha (mais uns 3 a 5 dias);
4 - Tive um problema ao abrir o papel com a senha e ela acabou ficando ilegível. Tive que pedir outra (mais uma semana);
5 - Depois, você precisa depositar o dinheiro que for sacando do seu VTM (no meu caso levou 3 dias, mas alguns demoram mais que outros);
6 - Pedir o statement, que é como uma declaração do banco que você tem em conta no mínimo os 3 mil euros exigidos (mais 3 dias úteis).

Juntando tudo isso, tirar o meu visa na Garda já me levou mais de um mês (e isso porque ainda nem terminei). Então, está explicado porque continuo apenas com o visto de turista aqui.


Falando na lentidão das coisas, o elevador do nosso prédio está quebrado há 4 dias. Eu escrevi QUATRO dias. A nossa sorte é que os edifícios daqui costumam ser baixos, algo entre 3 e 5 andares, no máximo. No que vivo tem cinco e estamos no terceiro... mas ter que subir e descer escadas todos os dias com o elevador lá, parado... faz eu me sentir como se estivesse no seriado de tv The Big Bang Theory.

Para quem não sabe, eles tem esse mesmo problema e usam as escadas como cenários para o desenrolar das histórias. Pelo menos, pensar nisso torna a dura tarefa de subir escadas mais engraçada. Só quero ver por quanto tempo isso vai durar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os Perigos da Língua

Desde que cheguei em Dublin, uso um método muito eficaz para descobrir como chegar aos lugares: pedido de informação. Desde o meu primeiro dia aqui, essa tem sido a mais divertida maneira de conhecer lugares e pessoas.

O mais incrível é que todas as vezes que pedia informação sobre algum lugar que gostaria de ir, as pessoas sempre me acompanhavam por todo o caminho ou por, pelo menos, boa parte dele. Incrível, não?! Como os irishs são educados! Ou, como disse uma outra professora da escola (irish também), desocupados e entediados. Estava invejando esse tipo de comportamento deles e aproveitando para conversar e conhecer alguns.


Pois bem. Esta semana, meu professor resolveu nos ensinar algumas maneiras de pedir informações nas ruas. "Rá, isso eu já tiro de letra". Pensei. E lá foi o Darran (o professor) escrever alguns exemplos na lousa:

"Could you show me the way to Temple Bar?" (Será que você poderia me indicar o caminho para o Temple Bar?)

Como boa aluna que sou, levantei a minha mãozinha crente que arrasaria. Afinal, a minha frase preferida para usar aqui em Dublin ao pedir informação era uma pequena variação dessa e sempre conseguia da melhor maneira possível o caminho: usando o tal do would.

"Teacher, can I use 'would' in this sentence?" (Professor, eu poderia usar o would nesta frase?)

Meu professor respondeu que sim, mas que isso mudaria o sentido da minha frase.

"Ãh????"

Pois é, pessoal, se eu usar a frase "Would you show me the way to Temple Bar?", estarei pedindo para o indivíduo em questão me mostrar o caminho até lá pessoalmente, me acompanhar durante o trajeto.

Então, as pessoas não estavam me acompanhando porque são hiper, mega educadas e não tem mais o que fazer a não ser ajudar uma turista perdida. Eles estavam me acompanhando porque eu estava pedindo que eles fizessem isso. Meu Deus, será que atrasei alguém? rs.

De qualquer modo, eles são sim muito educados. Poderiam se negar a fazer isso e apenas me falar como chega lá. Mas, nessa hora, conta a educação mesmo.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Irlanda do Norte - Belfast

Comecei a viajar apenas agora (ontem), pouco mais de quarenta dias depois de chegar. A escolha foi Belfast, que fica na Irlanda do Norte. Para quem não sabe, existem duas irlandas: a do norte com maioria protestante (ainda ligada à Inglaterra) e a do sul com maioria católica e que detesta os ingleses...rs.

Me preparei reassistindo Em Nome do Pai e vendo pela primeira vez Bloody Sunday. Engraçado que, com a proximidade do povo daqui, você consegue entender e se envolver melhor com a história deles. Queria ir para Belfast para justamente verificar o quanto tudo isso influencia a vida das pessoas lá.

A minha questão foi respondida logo que chegamos e nos deparamos com o centro da cidade todo cercado. Policiais para todos os lados e carros de polícia piores do que o caveirão do Rio de Janeiro. Assusta um pouco tudo isso, sim! Quando chegamos so City Hall, pudemos acompanhar de perto o protesto mais silencioso que vi na vida: dezenas de pessoas enroladas na bandeira do Reino Unido, em completo silencio, paradas em frente à belíssima construção.

Pai, essa foto é original do protesto. Sua filha que tirou.

Como boa curiosa que sou, fui perguntar para dois irlandeses que lá estavam sobre o que acontecia. Chamei as duas brasileiras que estavam comigo para me ajudarem a entendê-los. A revolta dessa parte da população era não terem sido consultatos sobre a retirada da bandeira do mastro. Eles acreditam que deveriam ter questionado o povo sobre isso.

Então, todos os sábados, as pessoas se juntam e saem em protesto do City Hall pelas ruas: TODOS OS SÁBADOS, desde que retiraram a bandeira. Ficamos impressionadas! No Brasil, a gente nem sabe se é erguida alguma bandeira na prefeitura ou não. Se deixarem de erguer, ninguém vai se dar conta disso ou, se notarem, ninguém fará nada a respeito. Quanto mais perder horas do seu fim de semana protestando.

Os mesmos homens falaram que não precisaríamos nos preocupar porque era uma manifestação pacífica. No entanto, não conseguia deixar de pensar que o Domingo Sangrento também deveria ter sido pacífico.

Esse carro possue uma câmera giratória na parte de cima e um microfone: como o carro da google.

Intimidador, não?

A cidade é pequena e não tem muitas atrações. Na questão turística, tudo lá gira em torno do Titanic. Para quem não sabe, ele zarpou de Belfast para o iceberg e para a História. Dentro do Jardim Botânico, existe um museu em homenagem ao mais famoso navio do mundo. Pela baguatela de dezesseis libras. Sim, libras. Lembra que disse que eles ainda viviam sob o domínio britânico? Achamos um absurdo e não fomos nesta parte. No entanto, resolvemos conhecer o Jardim Botânico e o resto do museu.

A nossa dificuldade foi conseguir passar pelo protesto porque a polícia fechou algumas ruas e a "tropa-de-choque" deles estava a postos. Depois da confusão e do tiroteio que teve em uma dessas marchas, no fim do ano passado, não posso culpá-los por se prepararem para o pior. Que, graças a Deus, não aconteceu!

Nesta, os policiais fecharam a rua lá na frente, para que o protesto não entrasse aqui.

No museu, vimos ossadas de alguns dinossauros (que minhas amigas me garantiram ser de mentira porque estava conservado até demais e elas viram uns de verdade na Inglaterra), alguns objetos aleatórios e que não conseguimos entender muito bem o sentido deles e o tal do Jardim Botânico. Este último, era formado por um gramado e duas estufas que estavam fechadas.

E aí, vocês acham que é de verdade ou apenas réplica?

A foto desse bicho estranho aqui é para o meu irmão ver. 

Esse cachorro gigante era muito famoso por aqui. Vou pesquisar sobre o assunto e depois escrevo.

Fomos só nós ou vocês também acham que parece Curitiba?

A única coisa interessante do museu foi conseguir ver fotos e ler sobre toda a questão política envolvida na Irlanda do Norte. Detalhe que passamos em frente e registramos o hotel mais bombardeado do mundo.


Olhando a fachada nem parece que ele sofreu tanto, né?

PS: Postei várias fotos no facebook e algumas outras aqui. Acho que montarei um fotoblog para postar tudo lá e não encher aqui de imagens.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Atendimento Médico

Já tinha ouvido e lido muita gente comentando o assunto, mas esperei uma ocasião para conferir de perto isso. Sim, realmente o atendimento dos hospitais e clínicas daqui de Dublin (e já me falaram que de toda Irlanda) perde muito para o nosso no Brasil. Nunca mais reclamarei de ter que esperar muito tempo para ser atendida por aí.

A Daniela, italiana (sempre ela... rs), não estava se sentindo bem há alguns dias. Falei para ela procurar um médico, mas como tem que pagar pela consulta, ela ficou protelando. Após algum tempo, chegou no limite e ela começou a menstruar novamente e perder muito sangue. Resolveu que precisaria ir ao hospital. Após muita discussão comigo (ela queria ir sozinha), fiz com que o namorado irlandês fosse junto. Assim, ele poderia entender melhor o médico.

Cabe abrir uma explicação aqui. Os irlandeses pagam um imposto específico para a saúde. No entanto, se você precisar ir a um hospital ou clínica, terá que desbancar no mínimo 50 euros, que costuma ser o preço apenas da consulta. Ainda assim, o serviço é de uma qualidade um tanto quanto duvidosa.

Pai, esta foto é meramente ilustrativa, ok? Não conheço estas pessoas.

Voltando à nossa história. Quando chegaram ao que seria o melhor hospital de Dublin, ficaram contentes de só ter sete pessoas na fila de espera. Depois de cinco horas e ainda tendo mais cinco pessoas antes deles, desistiram. Sim, vocês não leram errado. O HOSPITAL levou CINCO HORAS para atender DUAS pessoas. Um completo absurdo!

Hoje, falei com ela para irmos a um centro médico que tem em frente ao nosso prédio. Depois de pagar os cinquenta euros e esperar por não mais de 10 minutos, fomos chamados pela médica. Ela era irlandesa e foi até bastante simpática. Tirou a pressão e perguntou o que ela sentia. Examinou-a e pediu que ela trouxesse um pouco de urina. Fez o teste lá na hora, com o palitinho e chegou a conclusão de que se tratava de uma obstrução intestinal. Resultado: saímos de lá com uma receita de... BUSCOPAN (Oi?).

Não posso deixar de pensar que, se fosse no Brasil, ela teria no mínimo feito um exame completo de sangue, urina e ultrassom. Lembra quando disse que existem muitas coisas que são melhores no Brasil? Então, colocaria esta em primeiríssimo lugar.

Nós nunca paramos para pensar no quanto nossos médicos são fantásticos. Claro, existem exceções, mas a maioria sabe todas as bulas e remédios de cor. É impressionante! Tudo bem, também pagamos duas vezes (impostos + plano de saúde) sim. Mas a maioria dos médicos não te mandaria para casa com uma receita de buscopan na mão sem ter feito mais exames.

Um caso que ficou muito famoso por aqui, mais precisamente em Galway, foi o de uma indiana que teve uma complicação na gravidez. Estava com 17 semanas e o corpo começou a não aguentar e ela apareceu no hospital com fortes dores nas costas, abdomen, febre, vômito, perdendo muito líquido aminiótico e com o cólo do útero completamente dilatado (aborto espontâneo). Diante do quadro, o casal pediu ao médico que interrompesse a gravidez (ou o que ainda restaria do bebê) para salvar a vida da mulher. A resposta do médico foi "Este é um país católico. Não podemos fazer nada enquanto houver batimento cardíaco". A mulher agonizou durante três dias e morreu juntamente com o feto.

Foto do protesto em Nova Deli contra o atendimento médico (ou falta dele) prestado à indiana

Segundo fiquei sabendo, a Irlanda é o país da União Européia que tem a lei mais severa e restrita na questão do aborto.

Depois de tudo isso, fiquei muito feliz por ter feito um check up médico completo no Brasil. Agora, a Daniela aqui, está pensando seriamente em ir para a Itália por alguns dias para se tratar, o que atualmente está parecendo ser uma excelente ideia.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

As Portas de Dublin

Existem histórias, aqui em Dublin, que tentam explicar as portas coloridas nas casas e prédios da cidade. Segundo as más-línguas, elas servem para que o irlandês consiga distinguir a porta de sua casa quando volta para casa à noite e bêbado. Já as péssimas-línguas dizem que era para os cavalos reconhecerem as casas e pararem em frente à correta, já que o dono estaria num estado tão lamentável de bebedeira que não poderia fazê-lo.

Outra das histórias conta que em 1861, quando o príncipe Albert faleceu, a rainha Vitória mandou todos colocarem faixas pretas nas portas das casas em sinal de luto. Um irlandês revoltado (e provavelmente também bêbado) resolveu pintar as portas durante a noite em sinal de protesto. Quando todos acordaram, gostaram tanto da ideia que resolveram aderir à moda.

Seja como for e qual explicação tiver, a questão é que elas são realmente muito adorávei! Em estilo georgiano, realmente acabam dando outra cara para a cidades. Duvida? Dá uma olhada nesta foto que tirei enquanto caminhava na rua hoje. E olha que essa aí tinha umas casas bem modestas. 

Lindas, não?!

Antes de mudar para cá, queria morar em uma casa que tivesse uma delas. Queria casa porque poderia comprar uma bicicleta e a porta colorida porque é legal... rs.

PS: Na minha escola, a cor dela é vermelha.

Mudando um pouquinho de assunto. Acho que não citei aqui no blog mas, para quem não sabe, estou ajudando num brechó de caridade todas às quartas-feiras durante a tarde. Por isso que não tenho mais entrado tanto na internet para escrever aqui ou responder e-mails ok, pai?

Também comecei a fazer academia. Aqui, por 200 euros, você faz um plano de um ano e pode frequentar a academia e algumas aulas quantas vezes quiser (leia-se aguentar). Acaba saindo por uma bagatela de 16,6 euros por mês. Eu ainda consegui alguém para me matricular comigo numa promoção e gastei 175 euros (14,6 euros). Agora, só preciso ter força de vontade para usufruir disso.

Lembram-se que citei das coisas boas que tem no Brasil que a gente não percebe? Então, citarei mais uma. Aqui, não tem um instrutor para fazer uma avaliação física sua e montar uma série de exercícios própria para o que você quer. Se você quiser, tem que pagar 25 euros por um personal trainner. Se não, se vira nos 30, amigo.